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27 julho, 2026
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IníciosaudePerda de audição pode acelerar demência, explicam especialistas a Dr. Kalil

Perda de audição pode acelerar demência, explicam especialistas a Dr. Kalil

A perda auditiva pode ser um fator determinante no desenvolvimento e na aceleração de quadros de demência. É o que alertam especialistas ao Dr. Kalil no CNN Sinais Vitais, que destacaram a relação entre a dificuldade de ouvir, o isolamento social e o declínio cognitivo.

Rubens Brito, otorrinolaringologista, professor associado da FMUSP e coordenador no Hospital Sírio-Libanês, explicou que, ao ouvir menos, a pessoa tende a se fechar progressivamente. “Ela vai se fechando cada vez mais dentro dela, não participando, o mundo vai ficando muito pequeno”, afirmou. Segundo ele, a pessoa também deixa de perceber os sons do ambiente ao redor — como a chuva ou o canto de pássaros —, experiências que fazem parte do cotidiano e contribuem para o bem-estar.

O especialista ressaltou que pesquisas recentes apontam a reabilitação auditiva como um elemento central no combate à demência senil. “As pesquisas mostram que a melhora da audição é o único fator que realmente impacta no retardar de uma demência senil“, declarou. A afirmação reforça a importância do diagnóstico e do tratamento precoce da perda auditiva como medida de saúde pública.

A fonoaudióloga Paula Junqueira, coordenadora do Centro de Otorrinolaringologia do Hospital Sírio-Libanês, aprofundou a explicação sobre os mecanismos envolvidos. Ela destacou que a audição não se resume ao ouvido: o som captado é transformado em sinal elétrico, que percorre vias no cérebro até se tornar compreensão. “Quando eu penso numa pessoa que não está ouvindo bem, o sofrimento é da via do cérebro que está tentando entender o que está sendo falado com pequenos buracos”, explicou.

Paula Junqueira também descreveu um fenômeno comum entre pessoas com perda auditiva: ouvir, mas não compreender. Segundo ela, dependendo do grau da perda, alguns sons chegam ao cérebro com lacunas imperceptíveis para o próprio indivíduo. Isso obriga a pessoa a fazer um esforço cognitivo muito maior do que percebe. “Uma reunião social, que é para ser prazerosa, ele tem que ficar muito atento, tem que ficar olhando pro rosto da pessoa para conseguir entender bem”, disse.

Com o tempo, esse desgaste leva o indivíduo a evitar situações sociais, o que intensifica o isolamento e agrava os riscos para a saúde mental e cognitiva.

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