21 maio, 2026
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Ferramenta de IA vira aliada para médicos em tratamento contra bipolaridade

Uma nova IA (inteligência artificial) tem se tornado uma aliada para psiquiatras em tratamentos de bipolaridade no Brasil. Com a função de tutora, a ferramenta foi desenvolvida para catalogar artigos e informações de fontes confiáveis para auxiliar nos atendimentos clínicos.

Desenvolvida pela equipe de Renato Silva, médico psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo), a plataforma passou a ser utilizada por mais de 300 profissionais de saúde, que somam cerca de 10 mil interações registradas. À CNN Brasil, o médico falou sobre a inovação no tratamento do Transtorno Bipolar, que, segundo ele, afeta cerca de 2 a 8 milhões de pessoas no Brasil.

Renato revelou que a IA funciona como uma tutora para os psiquiatras, sem interferir no diagnóstico final dos pacientes, e seu uso pode ser feito no WhatsApp. “A IA não tem função clínica de dar diagnóstico, isso é função clínica do médico. A IA foi criada para ser uma ferramenta educacional para o médico, e o médico fica com a decisão final. O problema é formar médicos que conheçam sobre transtorno bipolar”, apontou ele.

O profissional revelou que é muito difícil chegar a um diagnóstico de bipolaridade, tendo em vista que a doença possui sintomas difusos. Ele apontou que há um atraso na determinação do diagnóstico que dura de 8 a 10 anos nos pacientes somente no Brasil.

A nova plataforma ajuda a tirar dúvidas sobre qualquer transtorno de humor, a diferenciando de inteligências artificiais aleatórias, que tiram informações resumidas de sites que falam sobre o assunto. A IA criada pela equipe de Renato usa informações de livros e fontes confiáveis totalmente especializados sobre o assunto. “Funciona muito melhor para esse fim do que uma ferramenta genérica. Os números estão aí para aprovar: 84% dos médicos que usam a ferramenta voltam para usar”, apontou.

Ele reforçou: “Diagnóstico, decisão clínica e tratamento continuam sob decisão do médico”.

Definição do Transtorno Bipolar

A bipolaridade é uma doença psiquiátrica que ainda gera dúvidas na hora de aplicar um diagnóstico. Airla Barbosa, psiquiatra da Casa Caeté e do Afro Amparo, apontou que a principal diferença entre a bipolaridade e a depressão está nos episódios de mania.

A profissional explicou que depressão é o polo negativo, em que a pessoa sente mais tristeza, pode ter bastante irritação, perda energia, e pode evoluir para pensamentos de morte e até tentativas. A mania é o polo positivo, quando tem aumento na velocidade do pensamento e da fala, algo que pode ser atestado durante as consultas.

“Pode envolver casos mais graves sintomas psicóticos, em forma geral ela pode pensar que é muito grandiosa, muito rica, pode se colocar em risco, pode aumentar a vontade sexual e diminui a necessidade de sono”, explicou. Ela ainda exemplificou para casos em que pacientes surgem com “energia para bater uma faxina de madrugada”.

Airla também destacou as graus de identificação de depressão e de bipolaridade. “A depressão pode ser leve, moderada ou grave e a mania pode ser com ou sem sintomas psicóticos, e pode ter o episódio de hipomania, que não é tão grave e não dura tanto tempo”, explicou.

Ela afirmou que a pessoa que está em hipomania não possui autocrítica, mas familiares e pessoas em volta percebem essa situação. Pacientes nesse estado costumam achar que estão “no topo do mundo”.

Sobre o uso de tecnologias como aliadas no tratamento de Transtorno Bipolar, a profissional apontou:

“É importante como ferramenta, encontrar protocolos, interações medicamentosas e encontrar perfis de efeitos colaterais, no entanto é isso, o tratamento é individualizado. A IA não consegue encontrar os padrões de individualização do ser humano, como raça e identidade de gênero, como essa pessoa trabalha, quanto tempo ela demora no tempo de deslocação de trabalho, violência doméstica, contexto de solidão e luto, consumo de substâncias. O contexto importa muito”.

Futuro da medicina e das tecnologias

O psiquiatra Alfredo Simonetti, autor do livro “Gozai Por Nós”, escrito com base em estudos sobre o uso de IA na medicina, opinou sobre o assunto. Para o médico, o papel atual da IA na medicina é importante, mas a tecnologia é recente. Ele avaliou que a ferramenta pode livrar o médico de questões administrativas para poder focar no paciente, por exemplo.

“A psiquiatria é uma das especialidades médicas que ainda valoriza muito a relação entre médico e paciente. Minha expectativa e minha especulação é que vamos encontrar um jeito bom de usar a tecnologia, não só na psiquiatria, mas na medicina em general”, avaliou.

Ele exemplificou sua teoria com um acontecimento mais recente. “Durante a pandemia, os atendimentos virtuais da medicina deu muito certo na psiquiatria. A gente não tinha essa tradição, mas esse é um exemplo de como a tecnologia foi extremamente favorável”, concluiu.

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