
Um estagiário de Direito suspeito de fingir ser advogado conseguiu aplicar um golpe até em um policial militar. A fraude só veio à tona quando o sargento exigiu a devolução de R$ 5.221,50 pagos por supostos serviços jurídicos e financeiros. A cobrança terminou com Matheus de Sousa Oliveira, de 31 anos, preso em flagrante e levou a Polícia Civil a descobrir um esquema que, segundo a investigação, pode ter causado prejuízo de cerca de R$ 100 mil a pelo menos sete vítimas.
Estagiário de Direito suspeito de se passar por advogado foi preso em flagrante em Dourados após aplicar golpe em um sargento da Polícia Militar, que pagou R$ 5.221,50 por serviços jurídicos e financeiros. Matheus de Sousa Oliveira, de 31 anos, também portava uma pistola com numeração suprimida. A Polícia Civil estima prejuízo de R$ 100 mil a pelo menos sete vítimas. Ele nega as acusações.
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima é um 3º sargento da Polícia Militar, de 39 anos. Ele conheceu Matheus há cerca de dois meses, quando o investigado se apresentou como advogado e contador e ofereceu assessoria jurídica, contábil e intermediação para obtenção de financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a empresa da qual o militar é sócio.
Convencido pela proposta, o policial fez um Pix de R$ 4,5 mil. Depois, pagou mais R$ 400 por supostos honorários contábeis e R$ 321,50 para uma alegada alteração na alíquota da empresa, totalizando R$ 5.221,50.
No último sábado (25), ao cobrar o andamento do serviço, o sargento pediu que Matheus apresentasse os registros na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e no CRC (Conselho Regional de Contabilidade). Segundo a investigação, foi nesse momento que o estagiário admitiu que não era advogado nem contador. Diante da revelação, o policial exigiu a devolução do dinheiro.
Ainda conforme a ocorrência, Matheus respondeu que não devolveria “merda nenhuma” e levou a mão à cintura, insinuando estar armado. O sargento então realizou a abordagem e encontrou uma pistola Taurus PT 57 SC, calibre 7.65, com a numeração suprimida, além de cinco munições calibre .32. Uma equipe da Polícia Militar foi acionada e encaminhou o suspeito para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac).
Matheus foi autuado em flagrante por estelionato, ameaça, porte de arma de fogo com numeração suprimida e exercício ilegal da profissão. O delegado também representou pela conversão da prisão em preventiva.
Esquema – Na representação pela prisão preventiva, a Polícia Civil afirma que o caso envolvendo o policial militar foi apenas uma das situações atribuídas ao investigado.
Segundo as investigações, embora fosse apenas estudante de Direito e estagiário, Matheus se apresentava a clientes e parceiros comerciais como advogado regularmente inscrito na OAB e integrante de um escritório de advocacia. A partir dessa falsa condição, negociava honorários, prometia ajuizamento de ações, oferecia assessorias jurídicas, contábeis e financeiras e recebia os pagamentos diretamente em suas contas bancárias.
Até o momento, pelo menos sete pessoas ou empresas relataram ter contratado os serviços acreditando que negociavam com um advogado. A estimativa inicial da Polícia Civil é de que o prejuízo causado pelo suposto esquema já se aproxime de R$ 100 mil, sem descartar o aparecimento de novas vítimas.
Em interrogatório, Matheus negou ter aplicado golpes. Ele afirmou que o valor recebido do policial correspondia à elaboração de um estudo de viabilidade para obtenção de financiamento junto ao BNDES e alegou que chegou a oferecer seu veículo como forma de ressarcimento. Também negou ter ameaçado o militar e disse que mantinha a arma para defesa pessoal porque estaria sendo ameaçado por clientes que o acusam de estelionato em outras situações.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Dourados.

