23 maio, 2026
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Acnes na adolescência: por que elas surgem e como lidar com elas

Na adolescência, o surgimento da acne é praticamente um rito de passagem. Para muitos, os cravos e espinhas que aparecem, principalmente no rosto, no peito e nas costas, são motivo de desconforto e até mesmo baixa autoestima. Mas por que essa fase da vida é tão marcada por essas alterações na pele?

A explicação está nas intensas mudanças hormonais que ocorrem durante a puberdade. O corpo passa a produzir mais hormônios andrógenos, como a testosterona, que estimulam as glândulas sebáceas a fabricarem maior quantidade de sebo — uma espécie de óleo natural da pele. Quando esse excesso de oleosidade se mistura com células mortas e bactérias, os poros ficam obstruídos, surgindo os comedões (conhecidos como cravos) e, nos casos em que há inflamação, as espinhas.

“Geralmente a acne mostra-se evidente aos 12 anos de idade, mas há pessoas que, com 9 anos, já começam a manifestar lesões. Estima-se que 85% das pessoas no mundo, entre 12 e 24 anos, já tiveram acne, independentemente de serem de grau leve ou grave. A partir dos 25 anos, o quadro fica mais leve, mas o que não significa que pessoas de 40 anos ou, por exemplo, não tenham acne”, explica Cristiano Kakihara, dermatologista.

Embora seja um fenômeno fisiológico comum, a acne pode se manifestar de formas variadas. Há quem tenha poucas lesões e consiga conviver bem com elas, mas há também casos mais severos, com lesões doloridas e inflamatórias que deixam marcas permanentes na pele. Fatores genéticos, alimentação desbalanceada, estresse e até o uso inadequado de cosméticos podem agravar o quadro.

“Algumas medicações e suplementos, como corticoides, complexo B12 e Whey Protein, também podem levar à piora de casos de acne. A própria poluição também pode levar à obstrução dos poros e, por isso, a higiene adequada da pele é tão importante. Isso vale também para as maquiagens, que sempre devem ser totalmente removidas antes de dormir”, acrescenta Viviane Scarpa, dermatologista.

O controle da acne começa com a adoção de uma rotina de cuidados com a pele. A limpeza diária é fundamental: deve-se lavar o rosto duas vezes por dia, preferencialmente com sabonetes próprios para peles oleosas ou acneicas. Mas é preciso atenção, já que lavar o rosto várias vezes ao dia, pode provocar o efeito rebote — quando a pele entende que está ressecada e passa a produzir ainda mais sebo.

Outro erro comum entre os adolescentes é espremer espinhas. Além de piorar a inflamação, esse hábito favorece o aparecimento de cicatrizes e manchas. Em vez disso, o ideal é apostar em produtos que contenham ativos como ácido salicílico, peróxido de benzoíla ou niacinamida, que ajudam a controlar a oleosidade e a reduzir as lesões. Esses tratamentos, no entanto, devem ser indicados por um dermatologista.

Além desses cuidados, a escolha dos cosméticos também faz diferença. Protetores solares e hidratantes devem ser livres de óleo e ter fórmulas não comedogênicas — ou seja, que não obstruam os poros. Mesmo peles oleosas precisam de hidratação para manter sua barreira protetora equilibrada.

“Ter uma rotina de skincare, fazer limpezas de pele e não dormir de maquiagem faz parte da orientação para todos os pacientes com acne. A consulta dermatológica é importante, já que o tratamento da acne é individualizado e, quanto antes iniciarmos o tratamento, melhor já tratar cicatrizes de acne é mais difícil do que tratar a própria acne”, explica Scarpa.

Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, dietas ricas em açúcares simples, laticínios e alimentos ultraprocessados podem agravar o problema. Por isso, manter uma alimentação equilibrada, beber bastante água, dormir bem e controlar o estresse são estratégias que também favorecem a saúde da pele.

“A acne está associada comumente à diminuição de autoestima e pensamentos depressivos, já que muitos pacientes se sentem excluídos de grupos sociais. Este isolamento compromete demais a saúde mental dos pacientes. Por isso, o tratamento deve ser iniciado precocemente e com medicações e/ou intervenções eficazes”, acrescenta Kakihara.

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