O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (16/6), criticou os ataques de Israel contra o Líbano e sugeriu que a Síria lide com o grupo islâmico Hezbollah. As falas foram a repórteres em Évian-les-Bains, na França, onde ocorrerá a cúpula do G7.
“Se Israel não consegue fazer o trabalho [lidar com o Hezbollah] sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo”, disse.
Trump criticou a atuação de Benjamin Netanyahu, afirmando que o primeiro-ministro israelense deve “ser mais responsável” em relação ao Líbano e disse que “não gostou” dos ataques israelenses contra Beirute durante as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
O americano ainda foi crítico aos métodos do Exército israelense, que já deixaram mais de 3,8 mil pessoas mortas no Líbano desde a escalada da ofensiva, em 2 de março.
“Não é preciso demolir um prédio de apartamentos toda vez que se procura alguém, porque há muita gente nesses prédios – e nem todos são do Hezbollah”, disse o presidente dos EUA.
Entenda
- Após mais de 100 dias de guerra, Estados Unidos e Irã firmaram um memorando de entendimento pelo fim da guerra, nesse domingo (14/6).
- Horas antes do anúncio, o Exército israelense atacou Beirute, capital do Líbano, em uma ofensiva contra o grupo xiita Hezbollah.
- Os ataques israelenses colocaram em dúvida o acordo EUA-Irã, já que uma das exigências do governo iraniano é o fim das hostilidades no Líbano.
- Um dia após o entendimento, o ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir disse que Israel não é parceiro do acordo. Israel Katz, ministro da Defesa israelense, disse que o país manterá as tropas no sul do Líbano mesmo após o acordo.
Acordo com Irã
Sobre o acordo com o Irã, Trump afirmou que a segunda parte das negociações devem ser “mais fáceis”.
O entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã no domingo prevê a suspensão das ações militares no Oriente Médio, a reabertura do Estreito de Ormuz por parte do Irã e o fim do bloqueio naval americano contra navios ligados a portos iranianos.
Serão discutidas ainda questões essenciais como o programa nuclear do Irã e a liberação de ativos congelados iranianos. Do lado americano, Trump garante que o Irã não terá armas nucleares.
“A única coisa que realmente importa para mim é que o Irã jamais terá uma arma nuclear, e isso fica bem claro. O inferno se abaterá sobre o Irã se o governo iraniano pretender adquirir uma arma nuclear”, disse.
O presidente americano ainda disse que o acordo com o Irã pode se manter mesmo com eventuais ataques de Israel contra o território libanês.
“Considero essa uma guerra menor”, disse Trump, referindo-se ao conflito no Líbano. “O Irã é o grande problema, mas temos aquele pequeno foco de atenção que constantemente ressurge, que é o Hezbollah”.
