7 julho, 2026
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Triste com a Seleção? Entenda riscos do estresse para a saúde

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega veio acompanhada de muito estresse e tristeza para a torcida verde e amarela. A decepção, segundo especialistas, pode causar prejuízos graves à saúde física e mental dos brasileiros.

A quebra de expectativa com o futebol pode ser o gatilho para intensificar um desgaste que já vinha se acumulando, principalmente para os mais fanáticos pela amarelinha. O apoio familiar e psicológico são fundamentais neste momento, segundo a psiquiatra Luana Carvalho.

“Pode aumentar o estresse, a ansiedade, prejudicar o sono, a concentração e até afetar o desempenho no trabalho. Quando esse estresse é prolongado, aumenta o risco de esgotamento físico e emocional”, afirma.

O sentimento da eliminação histórica

A sensação com a derrota histórica do Brasil, que não era eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo desde 1990, pode gerar um verdadeiro sentimento de perda. Luana afirma que é natural sentir um vazio e uma grande decepção. 

“O torcedor cria expectativas, faz planos, sonha com o título e se envolve emocionalmente durante toda a competição. O problema é quando esse sofrimento é tão intenso que a pessoa deixa de trabalhar, estudar ou conviver com a família por vários dias. Nesses casos, vale procurar ajuda de um profissional de saúde mental”, explica a especialista.

Também ouvido pela reportagem, o presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, PHD em Psicologia Esportiva, aifrmou que a Copa do Mundo mostra algo interessante sobre a natureza humana.

“Nós não sofremos apenas pelos acontecimentos da vida. Sofremos principalmente pelos significados que damos a eles. E poucas experiências coletivas carregam tantos significados emocionais quanto o futebol”, conclui Cozac.

Pressão alta e taquicardia

O nervosismo e a ansiedade com a Seleção também podem ter um impacto rápido no bem-estar físico das pessoas. O cardiologista esporte, Ricardo Contesini, explica que pode ocorrer o aumento a pressão arterial e da frequência cardíaca, com risco de complicações graves. 

“Isso acontece por uma liberação de uma substância chamada catecolamina. Entre elas pode ser adrenalina, epinefrina, norepinefrina, que são substâncias que aumentam a pressão. Então, se o paciente já for hipertenso, isso pode trazer aquela sensação de coração acelerado, além de uma vasoconstrição“, detalha.

Segundo Contesini, nessa condição, os vasos do coração ficam menores e isso pode causar problemas. Por exemplo, se alguém tiver uma placa de gordura no coração, a vasoconstrição pode ocasionar em alterações como infarto agudo do miocárdio e AVC (Acidente Vascular Cerebral). 

O médico explica que o aumento da frequência cardíaca faz com que o coração trabalhe mais, precisando de mais oxigênio e sangue — e os problemas podem até persistir. 

“Pode ser um problema principalmente naquelas pessoas que já têm fatores de risco. A liberação de adrenalina e pinefrina podem permanecer no organismo e, a cada estímulo que você tiver, a cada decepção, estresse, ansiedade, ela pode voltar na corrente sanguínea. Isso pode permanecer por vários dias dentro da corrente sanguínea da pessoa, principalmente se o estímulo se mantiver. Então, não é só no primeiro momento, só naquele momento inicial de raiva. Pode ainda permanecer por dois, três, até quatro dias na corrente sanguínea, aumentando o risco de problemas cardiovasculares“, conta o especialista.

Como superar?

O cardiologista compara o trauma da eliminação da Copa com uma situação de luto: a perda de um familiar ou de um ente querido, especialmente para os torcedores mais fanáticos.

“A gente pode colocar sim que pode se assemelhar a um luto e pode também se assemelhar à perda de um familiar. Alguma alteração na qual se libera muito hormônio na corrente sanguínea e a pessoa sente esse mal-estar. Inclusive, existem as fases do luto, aqueles passos que a pessoa passa depois de perder uma pessoa querida, que é a raiva, a barganha, até chegar na aceitação“, explica Contesini.

De acordo com a psquiatra, ficar triste faz parte da torcida, mas não é bom alimentar uma sensação de raiva o tempo todo. “Vale dar um tempo das discussões nas redes sociais, praticar atividade física, conversar com amigos sobre outros assuntos e manter a rotina normalmente”.

Ela lembra também que, por mais importante que o futebol seja, ele é apenas uma parte da vida. 

Nesse sentido, Fernanda Zanin, psicóloga e Mestre em Desenvolvimento Humano, pontua que “a paixão pelo futebol deve ser vivida como algo prazeroso, um momento de convivência. Mas devemos tomar cuidado para que não se torne algo que desregule as nossas emoções, que seja disfuncional ao nosso dia a dia.”

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