O mestre de obras Aparecido Gomes, de 58 anos, é um privilegiado na família. Se recorda de assistir jogos da Seleção Brasileira desde 1973, tempo suficiente para ver o time levantar duas taças, em 1994 e 2002. Já o filho, Cleir Pinheiro, de 25, carrega outra angústia: tinha só 2 anos no penta e não tem memória dessa vitória.
Torcedores reunidos no bar Bola na Trave, em Campo Grande, acompanharam com tensão o jogo entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Entre eles, pai e filho simbolizam gerações distintas: um viveu o penta, o outro não tem memória da conquista. Apesar das dificuldades em campo, como um pênalti perdido, os presentes mantiveram a esperança pelo hexa.
Pai e filho estão entre cerca de 50 torcedores reunidos no Bola na Trave, bar no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, para acompanhar Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Aparecido acompanha cada lance com o coração “a mil por hora” e admite que, apesar da história, não sabe se este será o ano do hexa. “Eu sou muito, muito torcedor. Vi o Brasil ser campeão, mas agora não sei se esse ano vai ser”, disse.
Ao lado dele, o filho resume o drama de uma geração que cresceu ouvindo falar do penta, mas sem lembrança própria da conquista. “Eu espero que o Brasil seja campeão, porque eu falo: pô, o Brasil tem que ser campeão. Eu tenho 25 anos e não vou ver o Brasil ser campeão? Não dá para o meu coração”, afirmou.
A preocupação se espalhou pelo bar depois que o Brasil perdeu um pênalti e encontrou dificuldade diante do estilo mais enérgico da Noruega. Criador de conteúdo, Lucas Podolske, de 29 anos, não escondeu a insatisfação com as chances desperdiçadas. “O Brasil tá ruim, já perdeu o pênalti. Estão tentando, tentando, e não fazem gol. Tá difícil. Vai ser um jogo bem difícil, mas eu acredito que vai ganhar”, disse.
Para Lucas, o maior perigo está no próprio Brasil não conseguir transformar as oportunidades em gol. “O perigo mesmo é o Brasil não acertar, mas ele tem que acertar e vai ganhar. Eu acredito nisso”, completou.
Agatha Beatrice, de 22 anos, também vê a partida com cautela. Ela avalia que a Noruega incomoda pelo jogo físico e pela altura dos atletas. “Eu estou um pouquinho preocupada. A Noruega é um time um pouquinho agressivo. Eles são bem altos, né? Nossa equipe brasileira tem a estatura um pouco mais baixa e tem uma dificuldade maior. Mas eu tenho fé na seleção brasileira, que eles vão trazer o hexa para a gente”, disse.



