Primo diz que Marcelo Pimenta estava feliz horas antes do crime e deixa filha de 7 anos

Soldado da Polícia Militar morto em Corumbá, Marcelo Pimenta sonhava com a farda desde criança e morreu tentando salvar um colega de serviço. Natural da cidade, ele será velado na Capela Cristo Rei. A família aguarda a liberação do corpo e a chegada do irmão dele, Marcel Pimenta, policial federal de 40 anos, que virá de Natal (RN) para a despedida.
O soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta, que realizava o sonho de ser policial em Corumbá, morreu após ser baleado enquanto tentava proteger um colega de serviço. Com quase um ano na corporação, ele atuava no GETAM e deixa uma filha de 7 anos. Um suspeito morreu em diligências, outro foi preso e um terceiro está foragido. A investigação apura possível ligação com o PCC e disputa pelo tráfico na região fronteiriça.
Em contato com o Campo Grande News, o pai do policial não tinha condições de falar. Quem conversou foi o primo da vítima, Daniel Luis Vilhalva Correa, de 30 anos, que estava na casa dos tios desde ontem prestando apoio à família.
Marcelo era natural de Corumbá e completaria um ano na corporação no dia 25 de agosto. Ele se formou na turma de 2025 e, durante o curso de formação, atuava em Jardim. Desde agosto do ano passado, quando encerrou a formação, trabalhava em Corumbá, no 6º Batalhão, e atuava no GETAM (Grupamento Especial Tático em Apoio Motociclístico).
“Sempre foi um sonho dele ser policial, desde criança. Já tinha feito o concurso e não tinha passado por duas vezes e agora que passou estava realizando um sonho”, contou Daniel.
O primo lembra que os dois cresceram juntos e que Marcelo também teve ligação com o futebol. “Nós crescemos juntos, jogou no Seni de Campo Grande, categoria de base. Foi jogar futebol. Em 2021, perdi meu pai, policial civil, Nildo Franco, morreu de covid. Inclusive, quando ele morreu, foi eu e o Marcelo para o velório. Meu pai e ele eram apaixonados pela profissão. Ele se espelhava no irmão, que é policial federal, que tem 40, Marcel Pimenta”.
A morte ocorre poucos dias depois de outra perda na família. No sábado, uma tia de Marcelo faleceu em Campo Grande. No domingo, ele foi com os pais para o velório. A família voltou a Corumbá na segunda-feira, no horário do jogo do Brasil.
“Assistiram o jogo na casa deles. Eu estava com amigos em outra casa, me ligou, perguntou onde eu estava. Acabou o jogo, fomos no pagode, ficamos a tarde e a noite toda juntos, ele estava feliz. Ontem, a última mensagem dele comigo foi 18h41, estávamos brincando”.
Daniel trabalha no hospital onde Marcelo foi internado após ser atingido. “Quando ele deu entrada, uma amiga me comunicou e eu avisei os pais dele. Eu fui pessoalmente avisar eles. Quando chegamos, ele estava no centro cirúrgico”.

A família ainda acreditava na recuperação do policial. “A gente tinha fé que ele ia sobreviver, ele era muito forte. Na hora do acontecimento tinha outro colega dele. Na hora do disparo, os amigos disseram que ele tentou salvar que o garupa não fosse atingido e foi a hora que ele levou os tiros, isso foi relato do garupa dele mesmo”.
Para o primo, Marcelo morreu protegendo outra pessoa. “Morreu fazendo a segurança da cidade e tentando salvar o amigo. Até agora a ficha não caiu, mas abala bastante. O pai dele perdeu no sábado a irmã, agora perdeu o filho, é complicado”.
Marcelo tinha uma namorada e deixa uma filha de 7 anos, de outro relacionamento. A menina mora com a mãe em Corumbá e ainda não sabe da morte do pai. “Não sabemos nem como contar, ela é apaixonada nesse pai dela”.
O coronel Renato dos Anjos Garnes, comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, está se deslocando para Corumbá para prestar assistência aos familiares do soldado.
“Era um policial de excelência. Infelizmente, deixa uma filha de sete anos, além de toda a família da Polícia Militar, que também sofre com essa perda. O nosso policial militar receberá todas as honras que merece. Ele morreu em serviço, cumprindo o seu dever de proteger a sociedade. A memória do soldado Marcelo Pimenta será preservada para sempre pela Polícia Militar”, disse em coletiva de imprensa na manhã de hoje.

Investigação – Um dos suspeitos de envolvimento na morte do soldado morreu durante diligências realizadas em Corumbá. Outro homem foi preso, e um terceiro envolvido segue foragido, segundo a corporação.
O comandante Renato Garnes afirmou que a mobilização continua em Corumbá enquanto as buscas pelo suspeito foragido seguem em andamento. Para o coronel, o assassinato do soldado representa não apenas um ataque contra um policial militar, mas também contra o Estado de Mato Grosso do Sul. “Vamos dar uma resposta rápida e firme a esse ataque contra um policial militar”, declarou.
A investigação também apura possível ligação dos envolvidos com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo o comandante-geral, há indícios de que o confronto tenha relação com uma disputa interna pelo domínio do tráfico de drogas na região.
Renato afirmou ainda que a residência ligada à ocorrência pertence a uma pessoa também envolvida com o tráfico. Ele destacou que Corumbá, por estar na fronteira com a Bolívia, é uma área sensível para esse tipo de disputa entre criminosos.

