15 julho, 2026
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Quem foi Martha Lillard, a última americana a viver com “pulmão de aço”

Martha Lillard, a última paciente nos Estados Unidos a depender de um pulmão de aço em decorrência da poliomielite, faleceu aos 78 anos em Oklahoma.

A morte, ocorrida em 26 de junho, marca o fim de uma era para os sobreviventes da doença que utilizavam essa tecnologia respiratória histórica.

Segundo familiares, as causas listadas no óbito foram insuficiência pulmonar crônica e síndrome pós-pólio, agravadas pelos efeitos da Covid-19 de longa duração.

Uma vida conectada à tecnologia

Lillard contraiu poliomielite em 1953, quando tinha apenas cinco anos de idade. A doença causou paralisia do pescoço para baixo, exigindo o uso de um cilindro metálico de pressão negativa para garantir sua respiração.

O equipamento funciona alterando a pressão do ar dentro da câmara para forçar a entrada e saída de oxigênio dos pulmões.

Mesmo com as limitações severas, Lillard frequentou a escola por meio de um sistema de interfone e, mais tarde, utilizou a internet para se manter informada e realizar atividades cotidianas.

Com fisioterapia, ela recuperou parte dos movimentos do braço esquerdo e das pernas, o que lhe permitiu morar sozinha por muitos anos e preparar as próprias refeições.

O impacto da vacinação e o cenário médico

A trajetória de Martha Lillard destaca o impacto da poliomielite antes da disseminação das vacinas, iniciada em 1955. Nos Estados Unidos, a doença foi declarada eliminada em 1979, após campanhas de imunização reduzirem drasticamente o número de casos.

Nos últimos cinco anos, a capacidade pulmonar de Lillard caiu para menos de 25%, e ela passou a necessitar do pulmão de aço quase 24 horas por dia. Durante a pandemia, ela contraiu Covid-19 por duas vezes, o que comprometeu ainda mais seu quadro clínico.

Legado e ativismo

Além de sua condição médica, Lillard era reconhecida por sua produção artística, compondo canções e escrevendo poemas. No campo social, atuou como voluntária na Sociedade Protetora dos Animais, dedicando-se ao resgate de cães da raça Beagle.

Ela deixou um obituário escrito por conta própria, onde detalhou sua determinação em aproveitar a vida apesar do prognóstico médico inicial, que previa apenas 20 anos de sobrevida, mas que fora vencido com muita perseverança.

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