União empurrou maioria dos processos para 2027, mas segue com projeto para a Malha Oeste
A concessão da Ferrovia Malha Oeste, considerada estratégica para Mato Grosso do Sul, permanece entre os poucos projetos ferroviários do governo federal que ainda têm previsão de leilão em 2026, apesar dos sucessivos atrasos no cronograma nacional de concessões. Atualização do calendário do Ministério dos Transportes mostra que, das nove ferrovias previstas para serem ofertadas ao mercado, apenas três seguem com expectativa concreta de serem licitadas neste ano: o Corredor Minas-Rio, o Anel Ferroviário Sudeste e a própria Malha Oeste.
A concessão da Ferrovia Malha Oeste, que prevê a recuperação de 1.593 quilômetros entre Corumbá e Mairinque, permanece entre os poucos projetos ferroviários com previsão de leilão em 2026, agendado para novembro. O projeto inclui aporte público de até R$ 3,6 bilhões e visa fortalecer o escoamento de cargas de Mato Grosso do Sul, beneficiando setores como mineração e celulose. Outros seis projetos ferroviários federais foram adiados para 2027.
Conforme antecipado pelo Campo Grande News em fevereiro, a previsão para a Malha Oeste foi adiada de julho para novembro deste ano. Mesmo com o atraso, o projeto continua entre os mais avançados da carteira ferroviária federal e é visto como prioridade por representar a retomada da conexão ferroviária de Mato Grosso do Sul com a malha nacional.
O plano original do Ministério dos Transportes previa uma ampla agenda de concessões ferroviárias ao longo de 2026, com potencial de atrair R$ 140 bilhões em investimentos em infraestrutura e outros R$ 516 bilhões relacionados à operação das ferrovias. A estratégia previa a publicação dos editais e a realização dos leilões cerca de três meses depois.
Nenhuma dessas previsões, porém, foi cumprida integralmente. Todos os projetos sofreram algum tipo de atraso e parte significativa deles acabou transferida para 2027.
Segundo o governo federal, os adiamentos decorrem da necessidade de ajustes em estudos técnicos, elaboração das minutas dos editais pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e da análise dos projetos pelo TCU (Tribunal de Contas da União), etapas obrigatórias antes da publicação dos editais.
A situação mais crítica envolve três projetos ligados à antiga Malha Sul. Os corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul, que originalmente seriam leiloados em dezembro deste ano, foram remarcados para março de 2027.
Também foi adiada a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), cuja previsão passou de março para outubro de 2027.
Outros dois empreendimentos considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro também enfrentam incertezas. O corredor Fico-Fiol, com 1.647 quilômetros ligando Caetité (BA) a Água Boa (MT), foi transferido de agosto para dezembro deste ano. Já a Ferrogrão, projetada para conectar Sinop (MT) a Itaituba (PA) em um trecho de 933 quilômetros, saiu de setembro para dezembro.
Na prática, a proximidade do fim do ano e a complexidade dos processos fazem com que os dois projetos ainda dependam de avanços regulatórios para que consigam efetivamente chegar ao mercado dentro de 2026.
Diante desse cenário, a Malha Oeste aparece ao lado do Corredor Minas-Rio, previsto para outubro, e do Anel Ferroviário Sudeste, reprogramado para setembro, como um dos únicos projetos com perspectiva mais clara de licitação ainda neste ano.
MS a SP – Para Mato Grosso do Sul, a concessão da Malha Oeste tem peso especial. O projeto prevê a recuperação de aproximadamente 1.593 quilômetros de ferrovia entre Corumbá e Mairinque (SP), reativando um corredor logístico considerado fundamental para o escoamento da produção estadual.
Em maio, a ANTT aprovou os estudos técnicos, os documentos jurídicos e o Plano de Outorga da nova concessão, permitindo o envio da proposta ao Ministério dos Transportes e, posteriormente, ao Tribunal de Contas da União.
A modelagem aprovada prevê a recuperação da infraestrutura ferroviária e estabelece a possibilidade de aporte público estimado em até R$ 3,6 bilhões, dependendo do trecho assumido pelo futuro concessionário. O projeto também contempla diferentes cenários operacionais para ampliar a atratividade junto ao mercado.
Durante o lançamento do ramal ferroviário da Arauco, em Inocência, em fevereiro, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ministro dos Transportes, Renan Filho, já haviam reafirmado a expectativa de realização do leilão em novembro. Na ocasião, ambos destacaram a revitalização da Malha Oeste como uma das principais iniciativas logísticas para Mato Grosso do Sul.
Atualmente, a ferrovia permanece sob concessão da Rumo, mas opera de forma limitada. Grande parte da malha está desativada ou sem condições adequadas de tráfego, resultado de décadas de investimentos insuficientes e da deterioração da infraestrutura.
A expectativa do governo federal é que a nova concessão permita recuperar a capacidade operacional da ferrovia, ampliar o transporte de cargas e fortalecer corredores estratégicos para setores como mineração, combustíveis e, principalmente, a cadeia da celulose, que vive forte expansão em Mato Grosso do Sul.
Se o cronograma atualizado for mantido, novembro marcará mais um capítulo de uma relicitação que se arrasta há anos e que é apontada por autoridades federais e estaduais como peça-chave para a integração logística do Estado ao restante do país.


