22 maio, 2026
InícioMato Grosso do SulLeilão da Hidrovia do Rio Paraguai previsto para 2027

Leilão da Hidrovia do Rio Paraguai previsto para 2027

Governo federal prevê concessão no ano que vem, mas projeto ainda depende de acordo

Leilão da hidrovia do Rio Paraguai deve ficar para o 1º semestre de 2027
Trecho do Rio Paraguai, no município de Porto Murtinho (Foto: Arquivo)

A concessão da Hidrovia do Rio Paraguai deve avançar para leilão no primeiro semestre de 2027. O projeto faz parte da agenda estratégica da SNHN (Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação) e está entre as prioridades do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) para ampliar a participação do transporte hidroviário na matriz logística brasileira.

A concessão da Hidrovia do Rio Paraguai deve ir a leilão no primeiro semestre de 2027, abrangendo cerca de 600 quilômetros entre Corumbá e a foz do Rio Apa. O modelo revisado exclui intervenções estruturais no leito do rio e prevê investimentos de R$ 311 milhões em 20 anos, com tarifa de R$ 1,80 por tonelada. A Antaq projeta triplicar a movimentação de cargas até 2035.

A proposta envolve o trecho brasileiro da hidrovia, com cerca de 600 quilômetros entre Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e a foz do Rio Apa, na fronteira com o Paraguai. A via integra o corredor hidroviário que conecta Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, considerado estratégico para o escoamento de cargas pelo Centro-Oeste.

Inicialmente, o leilão chegou a ser previsto para o fim de 2025, mas o cronograma foi alterado diante de impasses ambientais, ajustes no modelo de concessão e negociações internacionais. Agora, a previsão informada pelo governo federal é que as concessões hidroviárias dos rios Paraguai, Madeira, Tocantins, Tapajós e Lagoa Mirim sejam levadas a leilão no primeiro semestre de 2027.

No caso do Rio Paraguai, o governo tenta destravar o projeto por duas frentes. A primeira envolve negociações com Paraguai e Bolívia para dar segurança jurídica ao trecho fronteiriço. A segunda busca reduzir resistências internas, principalmente na área ambiental.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, o ministério trabalha em um acordo trinacional para viabilizar a licitação. A expectativa é concluir uma minuta ainda no primeiro semestre e buscar aprovação ao longo do segundo semestre. Depois disso, a proposta deverá voltar ao TCU (Tribunal de Contas da União), etapa necessária antes da publicação do edital.

O modelo em discussão também foi redesenhado. A proposta atual elimina intervenções estruturais no leito do rio, como aprofundamento da calha, derrocamento de rochas e remoção de barrancos. A concessão ficaria restrita a ações como dragagem de manutenção em trechos críticos, sinalização, balizamento, monitoramento em tempo real e gestão do tráfego hidroviário.

A mudança tenta responder a questionamentos de ambientalistas, órgãos de controle e do MPF-MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul). O objetivo do governo é apresentar a concessão como uma alternativa de maior controle sobre a navegação, em comparação ao cenário atual, sem concessão.

O ponto sensível é que o novo desenho reduz o potencial de intervenção sobre a hidrovia. Isso pode agradar ao setor ambiental, mas frustra parte dos exportadores, principalmente os que dependem de maior previsibilidade durante o período de seca. Sem obras mais robustas, como aprofundamento do canal, a navegação continuará mais dependente do regime natural do rio.

Leilão da hidrovia do Rio Paraguai deve ficar para o 1º semestre de 2027
Embarcações ancoradas nas águas do Rio Paraguai (Foto: Arquivo)

A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), no entanto, sustenta que o modelo pode garantir navegabilidade em mais de 95% do tempo, com calado de referência de 3 metros. A agência também afirma que a movimentação de cargas pode até triplicar até 2035, alcançando entre 19 milhões e 27 milhões de toneladas.

O projeto prevê investimento inicial de R$ 43,2 milhões nos três primeiros anos e custos operacionais de R$ 15,5 milhões por ano. Ao longo de 20 anos, o valor estimado chega a cerca de R$ 311 milhões. A concessão teria prazo inicial de 20 anos, com possibilidade de prorrogações sucessivas até o limite de 70 anos.

Pela proposta, 40% dos investimentos seriam destinados a ações ambientais. A tarifa prevista é de aproximadamente R$ 1,80 por tonelada em todo o trecho, podendo chegar a R$ 1,83 entre o Canal do Tamengo e a foz do Rio Apa. Para cargas que utilizarem apenas o trecho final a partir de Porto Murtinho, a estimativa é de cerca de R$ 0,19 por tonelada. Os valores ainda dependem de análise do TCU.

O pagamento deve ser restrito a grandes embarcações de carga. Barcos de passageiros, pesca, ribeirinhos e comunidades indígenas não devem ser tarifados.

A discussão ocorre em um momento de crescimento do transporte hidroviário no país. Dados apresentados pelo MPor apontam alta de 12,4% no setor. Em 2025, o transporte em vias interiores movimentou 145 milhões de toneladas de cargas, enquanto a cabotagem respondeu por 223 milhões de toneladas.

Na Hidrovia do Rio Paraguai, o minério de ferro ainda concentra a maior parte da movimentação. Em 2025, foram transportadas 9,4 milhões de toneladas, sendo 8,7 milhões de toneladas de minério e 373 mil toneladas de soja.

Veja a Matéria Completa Aqui!

Notícias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Vistos

Comentarios