Paixões por Cruzeiro e River Plate dividem torcedores em jogo decisivo da Libertadores

- 27/05/2015 - 0:00 | 0 comentários
Futebol


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Ídolo de Cruzeiro e River Plate, o argentino Sorín admitiu, na última semana, estar com o coração partido no confronto entre as duas equipes pelas quartas de final da Copa Libertadores. Porém, ele não é o único a passar por essa situação. O clássico internacional divide as emoções também de torcedores anônimos das arquibancadas.

O professor de espanhol Jorge Schulman nasceu torcedor do River Plate por influência dos pais. Mas, ao se casar com uma belo-horizontina, o argentino de Bahia Blanca, cidade a 800 Km de Buenos Aires, descobriu outra grande paixão: o Cruzeiro. Ele se mudou para a capital mineira no início da década de 1990. Na nova terra, criou um laço fraterno com o clube celeste que foi se estreitando com o passar do tempo. Hoje, ele é sócio de futebol do Cruzeiro e escreve em um site dedicado à torcida estrelada (www.cruzeiro.org).

Por tudo isso, o duelo mexe com os sentimentos de Schulman. Mas, em vez de sofrer, ele vê esse choque de paixões como um privilégio: “A minha sensação é de plenitude, quando você se sente completo. Há muitos anos eu não me sentia tão completo, porque meus dois grandes amores do futebol estão se confrontando”, justifica. “É como se você tivesse dois filhos e apenas um pudesse entrar na faculdade. Você torce para que os dois se dediquem e para que deem o melhor. O resultado vai ser consequência disso”.

Com a agenda cheia de compromissos, o professor já montou uma ‘estratégia’ para ir à partida. Ele estará lecionando até às 21h no Instituto Cervantes. De lá, sairá às pressas para o Mineirão, já que não quer perder esse grande encontro. Schulman vê o Cruzeiro favorito, mas alerta para o clima de ‘já ganhou’ que pode tomar conta da torcida azul e afetar diretamente os jogadores. “O Cruzeiro não pode jogar se defendendo, e, se o fizer, as consequências serão graves”, afirma. “Vai sair faísca. O River não vai entregar os pontos como muitos estão pensando. Essa euforia desmedida é perigosa. Temos que lembrar de 2009, quando o Estudiantes veio aqui e venceu o Cruzeiro”, relembra.

Enquanto Schulman precisará lidar com compromissos profissionais, o casal formado por Marcella Guanabens e Facundo Toledo deixará Porto Seguro na tarde de hoje exclusivamente para ver o jogo. Ela é médica e cruzeirense. Através de programas do governo federal, foi trabalhar na cidade baiana, onde conheceu aquele que passaria a ser seu namorado. Ele, apaixonado pelo River, está no Brasil há um ano e meio, e é sócio de uma pousada.

Cruzeirense Marcella Guanabens e riverplatense Facundo Toledo deixam a Bahia esta tarde para ver o jogo

Marcella e Facundo já contavam com a possibilidade de um duelo entre os times que torcem desde o ano passado. “Quando víamos que Cruzeiro e River estavam bem nos Campeonatos Brasileiro e Argentino, já falávamos que eles poderiam jogar um contra o outro. Tínhamos a expectativa e fomos acompanhando. Sempre vemos jogos de Cruzeiro e River juntos, mas vai ser bem legal ver o confronto entre eles. Agora, nós nos provocamos, mas sempre em tom de brincadeira. Ele sabe que o Cruzeiro é melhor, não tem nem graça”, conta a cruzeirense.

Para assistir à partida no Mineirão, eles recorreram aos ingressos vendidos pela Minas Arena na internet. Facundo queria ficar na torcida do River Plate, mas Marcella não poderia assistir à partida ao lado dos millonarios, porque esses bilhetes serão comercializados apenas para argentinos. “Lamento não poder ficar na torcida do meu time, mas vou tentar arrumar uma forma quando chegarmos ao estádio”. Já a médica não abre mão de estar entre os cruzeirenses. “Na verdade, seria mais emocionante ficar na torcida do Cruzeiro”. No entanto, eles descartam acompanhar o duelo em setores diferentes do estádio.

Como venceu o primeiro jogo por 1 a 0, em Buenos Aires, o Cruzeiro precisará de um empate nesta noite. Embora o River esteja em desvantagem, Facundo mantém a confiança em ver a equipe nas semifinais da Libertadores. “Tenho certeza de que o River vai ganhar. Esse é um grupo muito unido. Eles sempre jogam melhor nos piores momentos. É até melhor que joguem pressionados, porque assim dão o melhor”.

O argentino só mudará de lado se o River deixar a Libertadores. “Geralmente não torço para outros times argentinos, nem tampouco para brasileiros, mas acho que torceria pelo Cruzeiro, por causa da Marcella”.
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