Dólar perde força após bater R$ 3,48, mas fecha no maior valor em 12 anos

- 04/08/2015 - 0:00 | 0 comentários
Economia


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Mercado repercute incertezas internas e expectativa de mais juros nos EUA.
A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 3,4642, em alta de 0,28%.

Depois de abrir em baixa, o dólar mudou de direção e fechou em alta novamente nesta terça-feira (4), após três dias de ganhos, e voltou a atingir o maior valor em 12 anos. A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 3,4642, em alta de 0,28%. Veja cotação. Mais cedo, a moeda chegou a passar de R$ 3,48.
No ano, o dólar acumula valorização de 30,30% sobre o real. Na máxima do dia, chegou a R$ 3,4885, com alta de quase 1%. Mais cedo, a moeda chegou a recuar, atingindo R$ 3,4297.

“A cautela continua dominando o ambiente do câmbio interno”, escreveu o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik em nota a clientes. Ele ressaltou, no entanto, que os mercados globais mostravam um tom “mais ameno, embalados pela subida das bolsas chinesas e pela recuperação das commodities”, segundo a Reuters.
As bolsas chinesas perderam mais de 30% de seu valor desde que atingiram um pico em junho, alimentando preocupações nos mercados globais. Nesta sessão, contudo, as ações avançaram, após autoridades do país anunciarem novas medidas para combater vendas a descoberto.

O mercado também repercute a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos em setembro após as declarações do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, de que teria de sofrer “uma deterioração significativa” para ele não apoiar uma alta das taxas em setembro, informou o Wall Street Journal à tarde. “(Lockhart) foi mais assertivo do que qualquer um esperava”, disse à Reuters o economista da 4Cast Pedro Tuesta.
Juros mais altos nos EUA – promovidos pelo Fed, banco central norte-americano – podem atrair para o país recursos aplicados em outros mercados, como o Brasil. Nesse contexto, o dólar passou a subir em relação a uma cesta de moedas.

No Brasil
Mais cedo, a moeda dos EUA chegou a recuar tanto no mercado local quanto no exterior, com investidores comprando ativos de maior risco diante de nova alta da bolsa da China. No Brasil, no entanto, a queda durou pouco, em meio ao quadro de preocupações políticas e econômicas.

Na véspera, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi preso como parte de nova fase da Operação Lava Jato, que investiga escândalo bilionário de corrupção no Brasil. Investidores temem que golpes à credibilidade do país afastem capitais do mercado local e dificultem a aprovação de importantes medidas no Congresso Nacional.
“O cenário interno aqui está muito complicado. Não vai ser um dia de alta na China que vai mudar isso”, disse à Reuters o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.

Em entrevista, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que “o dólar é flutuante. Ele permanece flutuante. Mas hoje ele está neste valor”. “Eu acho que a evolução da economia mundial tem, em alguns pontos, se acelerado. As notícias de alguns países, como a China, sugerem que a economia mantém uma estabilidade, mas que está em uma trajetória de ajuste também”, diz Levy.

“Aliás, a gente têm comentado desde o início do ano que alguns dos nossos principais parceiros estão em um momento de ajuste. Muito em breve, nos Estados Unidos vai ter o ajuste da taxa de juros. Está preparando cautelosamente, mas as indicações são bem claras que este a gente deve ver. O que sempre tem impacto nos preços dos ativos. E, no caso da China, também. Vemos a evolução da situação lá que tem impactado preços de ativos de diversas ordens”.

Nesta manhã, o Banco Central brasileiro deu continuidade ao seu proograma de interferência no câmbio, seguindo a rolagem dos contratos que vencem em setembro. O BC vendeu a oferta total de até 6 mil contratos, que equivalem a venda futura de dólares. Ao todo, o BC rolou o correspondente a US$ 582,9 milhões, ou cerca de 6% do lote total, equivalente a US$ 10,027


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