Quadrilha do Major Carvalho tem R$ 80 milhões bloqueados pela PF

Os trabalhos são oriundos das investigações Handmade e Descobridor, que têm como objetivo reprimir organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro

Da Redação, com informações da PF - 17/11/2023 - 15:22 | 0 comentários
Campo Grande


Major Carvalho foi preso na Hungria. Foto: Internet

Em desdobramento da Operação Enterprise, que investiga desde 2020 a quadrilha do ex-major Carvalho, conhecido como o “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) cumpre, nesta sexta-feira (17), mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e em outros dois estados, combatendo a lavagem de dinheiro.

Conforme informações preliminares, as buscas e apreensões estão sendo realizadas também nos estados de São Paulo e Mato Grosso.

Os trabalhos de hoje são fruto das investigações Handmade e Descobridor, que têm como objetivo reprimir e desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais oriundos do tráfico internacional de drogas.

Para tanto, cerca de 50 policiais federais estão nas ruas para dar cumprimento a 14 mandados de busca e apreensão em endereços situados nos três estados.

Também foram decretadas medidas patrimoniais de bloqueio de bens na ordem de R$ 80 milhões. Além disso, carros, dinheiro em espécie, joias e outros itens de interesse da investigação foram arrecadados pela PF.

As duas investigações decorrem da chamada Operação Enterprise, deflagrada em novembro de 2020, que resultou na prisão do chefe da quadrilha , os ex-major Sérgio Roberto de Carvalho.

Tal operação buscava ocultar a origem ilícita dos recursos advindos do tráfico de drogas, os líderes da organização criminosa, por meio de uma complexa cadeia de atos ilícitos, importavam roupas da China e as disponibilizavam em redes de loja do varejo têxtil, utilizando o chamado “branqueamento” do recurso ilícito.

Após a venda dessas mercadorias, o dinheiro “sujo” retornava para a organização criminosa já “lavado”, dificultando a identificação da origem criminosa dos valores.

Relembre a Operação Enterprise

Em novembro de 2020, a PF, em ação conjunta com a Receita Federal, foi deflagrada a Operação Enterprise, a maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

À época, era considerada uma das maiores da história na apreensão de cocaína nos portos brasileiros, principalmente por tratar-se de uma organização criminosa (ORCRIM) especializada no envio de cocaína para a Europa.

Durante a investigação, foram recolhidos R$ 400 milhões em bens do narcotráfico, sendo a maior operação do ano em sequestro patrimonial, consubstanciados em aeronaves, imóveis e veículos de luxo.

Segundo a PF, durante a investigação, foram apreendidas 50 toneladas de drogas nos portos do Brasil, da Europa e da África. Tal volume de apreensões situava essa organização criminosa como uma das maiores em atuação no país.

O esquema utilizado pelos criminosos consistia na lavagem de bens e ativos multimilionários no Brasil e no exterior com uso de “laranjas” e empresas fictícias, a fim de dar aparência lícita ao lucro do tráfico.

Quando deflagrada, cerca de 670 policiais federais e mais 30 servidores da Receita Federal cumpriram 149 mandados de busca e 66 mandados de prisão nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco.

O nome da operação faz alusão à dimensão da organização criminosa investigada, que atuava como um grande empreendimento internacional na lavagem de dinheiro e exportação de cocaína, o que trouxe alto grau de complexidade à investigação policial.

O grupo era comandado pelo ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho.

Ele foi preso apenas em junho de 2022, em Budapeste, na Hungria. Ele estava foragido desde 2016, quando desapareceu de Campo Grande e, em 2018 foi inserido na lista de procurados da Interpol. Em 2023, ele foi transferido para a Bélgica.

Penalidade

Segundo a PF, os investigados nas operações deflagradas hoje (17) responderão na Justiça Federal, após confirmados os fatos, cada qual dentro da sua esfera de responsabilidade, pelos crimes de associação criminosa e lavagem de capitais, cujas penas, somadas, podem ultrapassar dez anos de reclusão.


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