Medida publicada às 18h20 não alcança o influenciador Eduardo Razuk, que permanece detido

A Justiça de Mato Grosso do Sul mandou soltar Rafael Razuk no início da noite desta segunda-feira (31), em Campo Grande, 13 dias depois de ele ser preso na Operação Rodas da Sorte. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna substituiu a prisão por medidas cautelares após entender que as buscas e outras diligências já foram cumpridas e o inquérito policial chegou ao fim. A medida não alcança o influenciador Eduardo Razuk, irmão de Rafael, que continua preso.
A Justiça de Campo Grande determinou a soltura de Rafael Razuk, irmão do influenciador Eduardo Razuk, 13 dias após sua prisão na Operação Rodas da Sorte. A juíza May Melke considerou que as diligências foram concluídas e o inquérito encerrado. Rafael deverá comparecer mensalmente à Justiça, entregar o passaporte e não poderá sair do Brasil. Eduardo Razuk permanece preso.
Conforme os autos obtidos pelo Campo Grande News, a ordem foi liberada às 18h20 e prevê a expedição do alvará de soltura, caso Rafael não esteja preso por outro motivo. Ele deverá comparecer à Justiça uma vez por mês, não poderá sair do Brasil e terá 48 horas para entregar o passaporte. As demais restrições impostas no decorrer da investigação foram mantidas.
A magistrada apontou que o cenário encontrado no início da Operação Rodas da Sorte mudou com o avanço das apurações. Desde então, foram realizadas buscas, apreendidos aparelhos eletrônicos e outros materiais, bloqueados bens e impostas restrições a perfis usados nas atividades investigadas. Para a juíza, o cumprimento dessas medidas diminuiu o risco de Rafael interferir no caso.
“Da análise dos presentes autos e da cautelar em apenso, entendo que a prisão preventiva não se mostra mais necessária, sendo suficiente, no atual estágio da persecução penal, sua substituição por medidas cautelares diversas”, escreveu.
A conclusão do inquérito também pesou na análise. A Polícia Civil já apresentou o relatório final, e o material agora aguarda avaliação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para definir se haverá denúncia. Segundo a decisão, as provas recolhidas estão sob controle do Estado, o que reduz a possibilidade de interferência de Rafael no trabalho já realizado.
O MP havia se manifestado contra a liberdade de Rafael. O órgão alegou risco de retomada das atividades por meios digitais, criação de novos perfis e eventual interferência nas análises financeiras e dos equipamentos apreendidos. A juíza do Núcleo de Garantias, considerou, porém, que não havia fato concreto que demonstrasse esse risco naquele momento.
“A mera possibilidade abstrata de criação de novos perfis, utilização de terceiros ou reorganização digital da atividade, sem indicação de conduta concreta superveniente atribuída ao requerente nesse sentido, não se mostra suficiente para justificar a continuidade da medida mais gravosa prevista no sistema cautelar”, registrou.
A juíza também levou em conta que Rafael é primário, tem residência fixa e ocupação lícita, conforme informações apresentadas pela defesa. O documento registra ainda que ele colaborou durante o cumprimento do mandado, permitiu a entrada das equipes no local e entregou o celular. Não há registro de tentativa de fuga ou de alguma ação dele para dificultar as apurações.
Caso descumpra as determinações, Rafael poderá receber novas restrições e até voltar à prisão. Ele também deverá manter endereço e meios de contato atualizados enquanto as medidas estiverem em vigor.
Operação – Rafael e Eduardo Razuk foram presos em 18 de agosto durante a Operação Rodas da Sorte, conduzida pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos). A investigação apura sorteios divulgados pela internet e a movimentação do dinheiro arrecadado. Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão e 11 de busca em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.
As equipes apreenderam 22 veículos de alto padrão e dois relógios de luxo. A Justiça também tornou indisponíveis cinco imóveis e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões em contas relacionadas aos investigados. Perfis usados por Eduardo nas redes sociais também sofreram restrições.
A defesa sustenta que os sorteios eram autorizados pela Loteria da Paraíba e que os valores recebidos tinham origem lícita. Na semana passada, os advogados tentaram derrubar as prisões dos irmãos, mas uma liminar foi negada.
