Uma cirurgia realizada em uma operação a aproximadamente 3 mil quilômetros de distância aconteceu em Goiânia (GO), na última terça-feira (25). O procedimento teve conexão remota com Santigo, no Chile, através do sistema cirúrgico robótico Toumai.
Prostatectomia radical — cirurgia de remoção total da próstata, glândula do sistema reprodutor masculino — foi o procedimento realizado. Este é o principal tratamento para o câncer de próstata localizado.
Segundo Eder Mattos, Gerente Nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, a telecirurgia representa uma das maiores evoluções da cirurgia minimamente invasiva. “A telecirurgia permite democratizar o acesso à medicina de alta complexidade, conectando especialistas a pacientes localizados em regiões remotas ou com escassez de profissionais altamente especializados.”, comenta o especialista.
Esta foi a primeira telecirurgia conectando Goiás ao Chile; a primeira prostatectomia realizada por meio de telecirurgia em Goiás; e a primeira telecirurgia realizada pelo Hospital do Rim.

Requisitos para operação
A operação utilizou duas conexões independentes de fibra óptica, redundância em rede 5G e uma VPN dedicada, para garantir estabilidade e continuidade da comunicação durante todo o procedimento.
Outro requisito fundamental foi a manutenção da latência inferior a 200 milissegundos, parâmetro internacionalmente considerado essencial para garantir resposta praticamente instantânea entre o comando realizado pelo cirurgião remoto e a movimentação da plataforma robótica.
O Toumai combina visão tridimensional em alta definição, instrumentais articulados com sete graus de liberdade e controle preciso dos movimentos, reproduzindo com os gestos do cirurgião.
Segundo a empresa, os pacientes podem ter, durante um procedimento realizado com tal tecnologia, menor perda sanguínea, redução da dor pós-operatória, menor risco de infecção, recuperação mais rápida e redução do tempo de internação.
O TOUMAI foi criado em 2014 e realizou a primeira cirurgia robótica em Xangai, na China, em 2019, tornando-se o principal concorrente do Da Vinci, sistema que, até o momento, domina o campo de cirurgia robótica.
Como cirurgia robótica está revolucionando
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A cirurgia robótica tem ganhado espaço e evidência no tratamento da doença por oferecer maior precisão e recuperação mais rápida.
“Os chineses, praticamente, fizeram um robô que é uma cópia do robô americano [Da Vinci], mas com algumas melhorias, como maior definição de imagem e o fato de ser o primeiro console que já vem programado para fazer telecirurgias”, explica Bruno Benigno, urologista e oncologista do Hospital Oswaldo Cruz e diretor da Clínica Uro Onco, à CNN Brasil. O especialista teve a oportunidade de testar a tecnologia aqui no Brasil.
“Além dessas melhorias, o robô tem uma proposta de diminuição de custos. Os chineses tiraram alguns gadgets, que eu diria que são ‘perfumarias’ do console, e isso diminui o custo sem comprometer a usabilidade e a segurança”, explica.
O robô TOUMAI possui uma torre única de onde saem os braços cirúrgicos. Para o cirurgião, ele oferece visão tridimensional e em alta definição, além de vir integrado à funcionalidade de telecirurgia, para cirurgias à distância, e um software para aumentar a sensibilidade tátil do profissional.
*Com informações de Gabriela Maraccini, da CNN
