A família de FABIOLA MARCOTTI manifesta-se diante da recente repercussão do caso e da nova PRISÃO PREVENTIVA de JOÃO JAZBIK NETO, decretada no âmbito da investigação de sua morte. Para a família, Fabiola foi vítima de um cruel feminicídio. Essa convicção não nasce de desejo de vingança ou de julgamento antecipado, mas das circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada. Diferentemente do que se tem procurado fazer crer, a prisão preventiva não decorre de medida precipitada ou desprovida de fundamento. Foi determinada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, magistrado de larga experiência na condução de processos submetidos ao Tribunal do Júri, após análise dos elementos apresentados no curso da investigação. A família respeita o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito de defesa, mas também respeita e confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração dos fatos. A família repudia, contudo, as reiteradas tentativas de apresentar à opinião pública a hipótese de suicídio como verdade consolidada, justamente quando os elementos já divulgados vêm colocando essa narrativa sob profundo questionamento. Segundo informações já públicas, exames periciais apontaram ausência de sinais característicos de disparo a curta distância, circunstância incompatível com a simplicidade da narrativa inicialmente apresentada. Ao mesmo tempo, com a prudência técnica que tem marcado sua atuação, a própria DEAM esclareceu que a investigação permanecia em curso e dependia da análise do conjunto das provas e laudos periciais. É precisamente nesse ponto que a família faz questão de registrar seu mais profundo reconhecimento à Delegada ANALU LACERDA FERRAZ e a toda a equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM. Desde os primeiros momentos, a Delegada Analu demonstrou independência, coragem institucional, serenidade, rigor técnico e sensibilidade para investigar a morte de uma mulher sob a necessária perspectiva de gênero. Quando seria mais fácil aceitar uma versão aparentemente pronta, escolheu investigar. Quando surgiram divergências, escolheu confrontá-las com os vestígios, com os depoimentos, com a perícia e com a ciência. Não antecipou conclusões, mas também não ignorou sinais. Não se curvou a narrativas. Deixou que as provas conduzissem a investigação. Segundo os elementos reunidos, houve ainda suspeita de alteração da cena em que Fabiola foi encontrada, com retirada de armas e munições do local, circunstância grave e que reforça a necessidade de uma investigação técnica, independente e rigorosa. Fabiola não pode mais apresentar sua versão. Não pode responder. Não pode se defender. Por isso, a família não permitirá que seu silêncio seja utilizado contra sua própria memória. Tudo isso ocorre durante o Agosto Lilás, mês nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, campanha que nasceu justamente em Mato Grosso do Sul. Para nossa família, neste ano, o Agosto Lilás deixou de ser apenas uma campanha. Passou a ter um rosto. O rosto de Fabiola.
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