Hipertensão e diabetes lideram as causas de doença renal crônica (DRC) no Brasil, segundo os nefrologistas Lúcio Requião, vice-diretor clínico do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina, e Caio Bastos, especialista do Hospital do Rim no CNN Sinais Vitais.
O controle inadequado dessas duas condições representa um dos maiores desafios da saúde pública no país, com consequências graves para os rins e outros órgãos vitais, conforme explicaram
Caio Bastos destacou que, embora a hipertensão já fosse reconhecida como principal causa de disfunção renal crônica no Brasil, o diabetes também ocupa posição de destaque entre os fatores determinantes da doença.
“No Brasil, a hipertensão parecia ser a principal, mas a gente sabe que o diabetes parece sim também ser a principal causa da disfunção renal crônica”, afirmou Bastos.
Segundo ele, o controle dos distúrbios metabólicos — como diabetes e obesidade — aliado ao controle pressórico são as medidas mais eficazes para reduzir o avanço da DRC.
Baixa adesão ao tratamento preocupa especialistas
Um dado alarmante foi destacado durante a conversa: cerca de 70% dos brasileiros diagnosticados com hipertensão e orientados por médicos não cumprem as recomendações do tratamento.
Lúcio Requião explicou que esse fenômeno se deve, em grande parte, ao caráter silencioso da doença. “A pressão também é uma doença silenciosa. Isso gera uma dificuldade do paciente perceber o efeito do não uso adequado do tratamento”, disse.
Ele acrescentou que, como o paciente frequentemente não sente os efeitos imediatos da pressão elevada, não há um estímulo natural para manter a medicação em dia. “O grande problema, tanto para o coração quanto para o rim, é a pressão mais alta durante muito tempo, de forma persistente”, alertou.
Perfil dos pacientes e faixa etária mais afetada
A doença renal crônica está mais concentrada em indivíduos com mais de 60 anos, faixa em que a prevalência de hipertensão e diabetes é maior. No entanto, Requião ressaltou que a incidência da doença em jovens vem crescendo.
A média de idade dos pacientes que chegam à falência completa do rim e necessitam de diálise ou transplante está entre 40 e 50 anos. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia e do Ministério da Saúde indicam que a concentração de pacientes em diálise acima de 60 a 65 anos também tem aumentado, reflexo do crescimento da expectativa de vida dos brasileiros.
Estilo de vida como fator agravante
Além das condições clínicas, o estilo de vida desempenha papel central no agravamento da saúde renal. Sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada foram apontados como fatores de risco compartilhados com as doenças cardiovasculares — como infarto e acidente vascular cerebral —, impactando diretamente a saúde dos rins.
O cenário reforça a necessidade de abordagens integradas que combinem tratamento medicamentoso e mudanças no estilo de vida para a prevenção e o controle da doença renal crônica.
